Preventivo feminino: tudo sobre o exame ginecológico

Podemos dividir a realização do exame preventivo feminino ou popularmente conhecido como papanicolau em três momentos distintos. Para fins didáticos, vamos considerar uma consulta ginecológica tradicional e supor que seja a primeira da paciente.

 

Primeira parte - anamnese: conhecendo a paciente

Em um primeiro momento, o médico receberá a paciente e irá conversar com ela, colhendo dados sobre sua vida pessoal, que inclui histórico de doenças, cirurgias realizadas, vida sexual (muito importante para futuros diagnósticos e tratamentos), hábitos de vida, entre outros.

Durante esta pequena entrevista, o médico identifica sinais e sintomas que mais tarde vão se unir ao exame físico e ginecológico para estabelecer o diagnóstico e tratamento, caso haja necessidade. É importante que a paciente relate com clareza e sem omitir detalhes: o que sente, o motivo que a levou a procurar o médico, etc, lembrando-se do princípio sigilo, ou seja, tudo o que for dito para o profissional da saúde, permanecerá sob sua guarda.

Devido a isso, se a mulher decidir levar consigo um acompanhante, precisa ter total liberdade para tratar de assuntos particulares e muitas vezes íntimos com o profissional da saúde. Isso pode fazer toda a diferença para o resultado final da consulta.

 

Segunda parte - exame físico e ginecológico: avaliando a saúde física da paciente

Em um segundo momento, o médico irá convidar a paciente para se preparar para o exame físico. Esta fase do exame pode ser feita pela paciente sozinha ou com auxílio de uma auxiliar que pode ser a realidade de muitos consultórios ginecológicos.

A paciente é convidada à tirar toda sua roupa, incluindo traje íntimo. Diferente de uma consulta com o clínico geral, onde o exame físico pode ser feito com o paciente vestido, na clínica ginecológica é necessário tal rotina para que o sistema reprodutor feminino possa ser inspecionado. Continuando, a paciente veste-se com traje apropriado: roupão ou camisola com abertura frontal. Trata-se de vestimentas esterilizadas, mesmo que parcialmente.

Logo em seguida, a paciente é convidada à sala de exames onde é colocada em uma maca especial, articulada com perneiras. O médico irá iniciar o exame com uma anamnese completa (aparelho cardiovascular, respiratório e abdome), como aquela feita pelo clínico, seguida de inspeção das mamas, na posição sentada e deitada em busca de nódulos mamários.

O próximo passo é a inspeção do trato geniturinário baixo, utilizando as perneiras, onde a vulva (parte externa do sistema genital feminino) é inspecionado em busca de lesões e/ou feridas, seguido das glândulas de  Bartholin e de Cowper. Após está análise, inspeciona-se a parede do canal vaginal, observando coloração, presença de focos de inflamação, feridas e lesões. Em casos específicos, também é possível avaliar a textura do ovário e da parede posterior da vagina através de toque retal, semelhante ao que é feito durante o exame de próstata no homem (em desuso por advento do ultrassom). Por fim, é executado o exame de papanicolau.

Para realização do papanicolau ou preventivo feminino, um espéculo, conhecido popularmente como bico de pato é introduzido no canal vaginal a fim de expor o colo uterino para inspeção. Este aparelho possui configurações e tamanho variável que atende faixas etárias e tamanhos diferentes de mulheres, existindo uma versão especial, chamada virgoscópio para ser utilizado em mulheres virgens, que após os 21 anos também devem fazer o exame ou frente alterações importantes.

Após a introdução do espéculo vaginal, executa-se o exame papanicolau que consiste na remoção através da espátula de Ayres e escova cervical, secreção do colo uterino, que é colocado em uma lâmina de microscopia e fixada com a substância de papanicolau para posterior análise citopatológica, que pode ser feita pelo próprio médico ou em um laboratório de patologia. Após a execução do exame do papanicolau, o médico ainda pode provocar um reação com iodo no colo uterino, que tem por objetivo verificar a existência de células neoplásicas, que podem ser cancerígenas. Neste ponto, encerra-se a segunda fase da consulta.

Não é aconselhável levar acompanhantes nesta fase do exame preventivo e durante o papanicolau, pois isto poderia violar a privacidade da paciente, lhe causando constrangimento e impedindo que dados importantes não ditos durante a entrevista inicial sejam ditos neste momento. Por outro lado, se a paciente se sentir a vontade para levar o acompanhante, este deve ficar sentado na cabeceira da maca, não interferindo no trabalho do médico.

 

Terceira parte - conclusão: elaborando uma estratégia de tratamento ou aconselhamento junto com a paciente

Na terceira etapa da consulta, o médico irá associar os dados obtidos na primeira etapa quando entrevistou a paciente com o que foi observado durante o exame físico, fazendo sua lista de hipóteses, e o diagnóstico.

As vezes, é necessário exames complementares para o diagnóstico final, sendo os mais comuns pedidos: hemograma completo, exame de urina e fezes, ultrassom transvaginal ou abdominal, ultrassom de mama, mamografia, entre outros.

O bom médico leva em considerações o nível socioeconomico da paciente, bem como o nível cultural da mesma antes de sugerir um tratamento. Quando existem mais de uma opção de tratamento, estas são dadas à paciente, que ajudará o médico a escolher a melhor, afinal, após a consulta, o sucesso do tratamento depende muito mais do paciente do que do próprio médico que fez às orientações.

Texto de:
Darlan Bergamaschi Souza Costa
Author: Darlan Bergamaschi Souza Costa
Sobre:
Acadêmico do 4º ano de Medicina, Economista e Especialista em Projetos. É fundador do Guia Saúde da Mulher, levando informações de qualidade sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida para mais de 30.000 leitoras(es) semanais.


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